Como calcular o percentual de gordura por dobras cutâneas?
A maioria dos protocolos estima primeiro a densidade corporal a partir da soma das dobras, da idade e do sexo. Depois, uma equação de conversão (Siri ou Brozek) transforma a densidade em percentual de gordura. Faulkner e Slaughter pulam essa etapa e dão o percentual direto.
Com o percentual, a massa gorda é o peso vezes o percentual, e a massa magra é o que sobra. A massa magra é o número que mais importa no acompanhamento: é ela que você quer preservar no emagrecimento e aumentar na hipertrofia.
Quais dobras cada protocolo usa?
- Jackson & Pollock, 3 dobras: homens, peitoral, abdominal e coxa; mulheres, tríceps, suprailíaca e coxa.
- Jackson & Pollock, 7 dobras: peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca e coxa.
- Petroski: homens, subescapular, tríceps, suprailíaca e panturrilha medial; mulheres, axilar média, suprailíaca, coxa e panturrilha medial (a equação feminina também usa peso e altura).
- Durnin & Womersley: bíceps, tríceps, subescapular e suprailíaca, com coeficientes por faixa de idade.
- Guedes: homens, tríceps, suprailíaca e abdominal; mulheres, coxa, suprailíaca e subescapular.
- Faulkner: tríceps, subescapular, suprailíaca e abdominal; muito usado em atletas.
- Slaughter: tríceps e panturrilha, para crianças e adolescentes de 8 a 18 anos.
Quer o passo a passo de cada um? Leia Pollock 3 ou 7 dobras: qual protocolo usar e protocolo de Petroski: como medir as 4 dobras e calcular.
Perguntas frequentes
Qual protocolo de dobras cutâneas usar?
O que foi validado na população mais parecida com o paciente. Jackson & Pollock é o mais usado (validado em homens de 18 a 61 anos e mulheres de 18 a 55); Petroski foi desenvolvido em adultos brasileiros (homens de 18 a 66 anos e mulheres de 18 a 51); Guedes, em universitários brasileiros; Slaughter, em crianças e adolescentes de 8 a 18 anos. Para acompanhar a evolução, o mais importante é manter sempre o mesmo protocolo e o mesmo avaliador.
Qual a diferença entre Siri e Brozek?
As duas convertem densidade corporal em percentual de gordura, com pressupostos um pouco diferentes sobre a densidade da massa magra. Em adultos, os resultados ficam próximos; Brozek costuma dar um valor ligeiramente menor quando a gordura é alta. Escolha uma e mantenha nas reavaliações.
Por que os protocolos dão resultados diferentes para o mesmo paciente?
Cada equação foi desenvolvida numa amostra específica (idade, sexo, nível de atividade, etnia) e usa dobras diferentes. Diferenças de 2 a 4 pontos percentuais entre protocolos são comuns. A tabela de comparação ajuda a ver se o paciente está dentro ou fora do padrão das equações.
Quantas vezes medir cada dobra?
A recomendação usual é medir cada ponto pelo menos duas vezes, sempre do lado direito, e usar a média. Se as medidas diferirem mais de 1 a 2 mm, faça uma terceira.
Como calcular o peso ideal para um percentual de gordura?
Mantendo a massa magra atual, o peso na meta é a massa magra dividida por (1 menos a meta de gordura em decimal). É uma estimativa: na prática, parte da massa magra também muda durante o emagrecimento ou o ganho de massa.
Referências
- Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. Br J Nutr. 1978;40(3):497-504.
- Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Med Sci Sports Exerc. 1980;12(3):175-81.
- Durnin JVGA, Womersley J. Body fat assessed from total body density and its estimation from skinfold thickness: measurements on 481 men and women aged from 16 to 72 years. Br J Nutr. 1974;32(1):77-97.
- Petroski EL. Desenvolvimento e validação de equações generalizadas para a estimativa da densidade corporal em adultos [tese]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 1995.
- Guedes DP. Estudo da gordura corporal através da mensuração dos valores de densidade corporal e da espessura de dobras cutâneas em universitários [dissertação]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 1985.
- Faulkner JA. Physiology of swimming and diving. In: Falls H, editor. Exercise Physiology. Baltimore: Academic Press; 1968.
- Slaughter MH, Lohman TG, Boileau RA, et al. Skinfold equations for estimation of body fatness in children and youth. Hum Biol. 1988;60(5):709-23.
- Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brozek J, Henschel A, editors. Techniques for measuring body composition. Washington: National Academy of Sciences; 1961. p. 223-44.
- Brozek J, Grande F, Anderson JT, Keys A. Densitometric analysis of body composition: revision of some quantitative assumptions. Ann N Y Acad Sci. 1963;110:113-40.
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