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Prática clínica

Pollock 3 ou 7 dobras: qual protocolo usar

Entenda quando usar o protocolo de Pollock de 3 ou de 7 dobras: pontos de medida, equações, faixa de idade validada e um exemplo comparando os dois.

Equipe Nootrix 7 min de leitura
Nutricionista de jaleco mede a cintura de um paciente com fita métrica
Neste artigo
  1. O que é o protocolo de Pollock?
  2. Quais dobras o Pollock de 3 e de 7 usam?
  3. Quais são as equações de Pollock?
  4. Pollock de 7 dobras é mais preciso que o de 3?
  5. Como fica a diferença num exemplo prático?
  6. Quando usar Pollock de 3 e quando usar o de 7?
  7. Checklist pra avaliação de dobras confiável
  8. Resumo rápido
  9. Perguntas frequentes
  10. Referências

Primeira consulta, paciente na sua frente, adipômetro na mão. Você sabe que o protocolo de Pollock de 7 dobras é o mais completo, mas a consulta já passou do horário e ainda falta a anamnese alimentar. Bate a dúvida: 3 dobras resolvem?

Na maioria dos casos, resolvem. O que importa mais do que o número de dobras é medir bem e repetir o mesmo protocolo em todas as reavaliações.

Aqui você leva quais dobras cada versão usa, as equações, a faixa de idade em que foram validadas e um critério simples pra decidir na hora.

O que é o protocolo de Pollock?

É o conjunto de equações de Jackson e Pollock pra estimar a densidade corporal a partir de dobras cutâneas. A versão masculina foi publicada em 1978, com 308 homens de 18 a 61 anos. A feminina, de Jackson, Pollock e Ward, saiu em 1980, com 249 mulheres de 18 a 55 anos.

As equações são chamadas de generalizadas porque foram feitas pra funcionar em pessoas de idades e composições corporais diferentes, e não só num grupo específico, como atletas. Por isso viraram o padrão em consultório.

Assim como Petroski, Pollock dá a densidade corporal. O percentual de gordura vem de uma segunda equação, geralmente a de Siri.

Quais dobras o Pollock de 3 e de 7 usam?

Versão Homens Mulheres
3 dobras Peitoral, abdominal e coxa Tríceps, suprailíaca e coxa
7 dobras Peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca e coxa As mesmas 7

Repare que na versão de 3 dobras os pontos mudam conforme o sexo. Na de 7, são os mesmos pra homens e mulheres.

Quais são as equações de Pollock?

Chamando de S a soma das dobras em milímetros e I a idade em anos:

3 dobras

Homens: densidade = 1,10938 − 0,0008267 × S + 0,0000016 × S² − 0,0002574 × I

Mulheres: densidade = 1,0994921 − 0,0009929 × S + 0,0000023 × S² − 0,0001392 × I

7 dobras

Homens: densidade = 1,112 − 0,00043499 × S + 0,00000055 × S² − 0,00028826 × I

Mulheres: densidade = 1,097 − 0,00046971 × S + 0,00000056 × S² − 0,00012828 × I

Da densidade ao percentual de gordura

% de gordura (Siri) = (495 ÷ densidade) − 450

Pollock de 7 dobras é mais preciso que o de 3?

Um pouco, mas menos do que se imagina. No estudo com mulheres, as equações com 3, 4 e 7 dobras tiveram erro padrão parecido, entre 3,6 e 3,8 pontos percentuais de gordura. A versão de 7 tem a vantagem de distribuir a medida pelo corpo todo, o que ajuda quando o paciente acumula gordura em regiões que a de 3 não mede.

Na prática, um erro de técnica pesa mais que a escolha entre 3 e 7. Uma dobra pinçada no lugar errado ou lida rápido demais muda o resultado mais do que a diferença entre as duas versões.

Como fica a diferença num exemplo prático?

Os valores abaixo são hipotéticos, só pra mostrar a mecânica.

Mulher, 30 anos: tríceps 18 mm, suprailíaca 20 mm, coxa 25 mm, peitoral 10 mm, axilar média 12 mm, subescapular 16 mm e abdominal 22 mm.

Com 3 dobras (tríceps, suprailíaca e coxa):

  1. Soma: 18 + 20 + 25 = 63 mm.
  2. Densidade: 1,0994921 − 0,0009929 × 63 + 0,0000023 × 3.969 − 0,0001392 × 30 = 1,0419.
  3. Percentual de gordura: 495 ÷ 1,0419 − 450 = 25,1%.

Com 7 dobras:

  1. Soma: 10 + 12 + 18 + 16 + 22 + 20 + 25 = 123 mm.
  2. Densidade: 1,097 − 0,00046971 × 123 + 0,00000056 × 15.129 − 0,00012828 × 30 = 1,0438.
  3. Percentual de gordura: 495 ÷ 1,0438 − 450 = 24,2%.

Menos de um ponto de diferença entre as duas versões nessa paciente. O número não é intercambiável, mas a leitura clínica é a mesma. Se ela fizer a primeira avaliação com 3 dobras e a segunda com 7, você não consegue dizer se a mudança veio do corpo ou do protocolo.

Quando usar Pollock de 3 e quando usar o de 7?

Use 3 dobras quando

  • O tempo da consulta é curto e você precisa sobrar tempo pra conversa e pro plano.
  • A paciente fica desconfortável com medidas no tronco. Na versão feminina de 3 dobras, não há medida no peitoral.
  • Você acompanha muitos pacientes e quer uma rotina rápida e fácil de repetir igual.

Use 7 dobras quando

  • O paciente treina e você quer acompanhar mudanças pequenas de composição corporal.
  • A gordura está concentrada em regiões que a versão de 3 não mede, como costas e lateral do tronco.
  • Você tem tempo e prática pra medir sete pontos sem pressa, sempre do mesmo jeito.

Prefira outro protocolo quando

  • O paciente é criança ou adolescente: Slaughter foi desenvolvido pra 8 a 18 anos.
  • A paciente tem mais de 55 anos: fora da faixa estudada. Os próprios autores recomendam cuidado com mulheres acima de 40.
  • O paciente é adulto brasileiro e você prefere uma equação desenvolvida aqui: veja o protocolo de Petroski.

Checklist pra avaliação de dobras confiável

  • Mesmo protocolo em todas as reavaliações do paciente, anotado no prontuário.
  • Mesmo lado do corpo, o direito, com o paciente em pé e relaxado.
  • Pontos marcados com lápis dermográfico antes de medir.
  • Duas medidas por ponto, em rodízio, e uma terceira se diferirem mais de 1 a 2 mm.
  • Mesmo adipômetro, de preferência, porque modelos diferentes podem ler diferente.
  • Mesmo horário e condição, de preferência sem treino logo antes.

Pra fazer a conta das duas versões e comparar com os outros protocolos usando as mesmas medidas, use a calculadora de dobras cutâneas. Ela mostra Pollock 3 e 7, Petroski, Durnin, Guedes e Faulkner lado a lado.

Resumo rápido

  • Pollock foi validado em homens de 18 a 61 anos e mulheres de 18 a 55.
  • A versão de 3 dobras usa pontos diferentes por sexo; a de 7 usa os mesmos.
  • No estudo com mulheres, o erro das versões de 3 e 7 foi parecido, entre 3,6 e 3,8 pontos percentuais.
  • Técnica de medida pesa mais que a escolha entre 3 e 7.
  • Não troque de versão entre uma avaliação e outra do mesmo paciente.

Perguntas frequentes

Pollock de 3 dobras é confiável?

É, pra adultos dentro da faixa de idade do estudo. O erro padrão das equações femininas de 3 e de 7 dobras ficou bem próximo. O que mais compromete o resultado é a técnica de medida, não o número de dobras.

Posso usar Pollock em idosos?

As equações foram desenvolvidas com homens até 61 anos e mulheres até 55, e os autores recomendam cuidado com mulheres acima de 40. Em idosos, a perda de massa magra muda a relação entre dobras e densidade, então a estimativa tende a errar mais.

Qual a diferença entre Pollock de 3 e de 7 dobras no resultado?

Costuma ser pequena, mas não é zero. Por isso o percentual de uma versão não deve ser comparado com o da outra. Escolha uma e mantenha.

Pollock serve pra atleta?

Serve, desde que dentro da faixa de idade. Pra acompanhar mudanças pequenas de composição corporal em quem treina, a versão de 7 dobras costuma ser a preferida.


A avaliação só vira informação quando você compara com as anteriores. O Nootrix, que está em pré-lançamento, calcula os protocolos de dobras na avaliação do paciente e monta o gráfico de evolução no prontuário a cada retorno. Se quiser testar e garantir o preço de fundador, entre na lista de espera.

Referências

  • JACKSON, A. S.; POLLOCK, M. L. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition, v. 40, n. 3, p. 497-504, 1978. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/718832/
  • JACKSON, A. S.; POLLOCK, M. L.; WARD, A. Generalized equations for predicting body density of women. Medicine and Science in Sports and Exercise, v. 12, n. 3, p. 175-181, 1980. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7402053/
  • SIRI, W. E. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: BROZEK, J.; HENSCHEL, A. (ed.). Techniques for measuring body composition. Washington: National Academy of Sciences, 1961. p. 223-244.
  • SLAUGHTER, M. H. et al. Skinfold equations for estimation of body fatness in children and youth. Human Biology, v. 60, n. 5, p. 709-723, 1988. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3224965/
  • LOHMAN, T. G.; ROCHE, A. F.; MARTORELL, R. Anthropometric standardization reference manual. Champaign: Human Kinetics, 1988.

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