Prática clínica
Pollock 3 ou 7 dobras: qual protocolo usar
Entenda quando usar o protocolo de Pollock de 3 ou de 7 dobras: pontos de medida, equações, faixa de idade validada e um exemplo comparando os dois.
Neste artigo
- O que é o protocolo de Pollock?
- Quais dobras o Pollock de 3 e de 7 usam?
- Quais são as equações de Pollock?
- Pollock de 7 dobras é mais preciso que o de 3?
- Como fica a diferença num exemplo prático?
- Quando usar Pollock de 3 e quando usar o de 7?
- Checklist pra avaliação de dobras confiável
- Resumo rápido
- Perguntas frequentes
- Referências
Primeira consulta, paciente na sua frente, adipômetro na mão. Você sabe que o protocolo de Pollock de 7 dobras é o mais completo, mas a consulta já passou do horário e ainda falta a anamnese alimentar. Bate a dúvida: 3 dobras resolvem?
Na maioria dos casos, resolvem. O que importa mais do que o número de dobras é medir bem e repetir o mesmo protocolo em todas as reavaliações.
Aqui você leva quais dobras cada versão usa, as equações, a faixa de idade em que foram validadas e um critério simples pra decidir na hora.
O que é o protocolo de Pollock?
É o conjunto de equações de Jackson e Pollock pra estimar a densidade corporal a partir de dobras cutâneas. A versão masculina foi publicada em 1978, com 308 homens de 18 a 61 anos. A feminina, de Jackson, Pollock e Ward, saiu em 1980, com 249 mulheres de 18 a 55 anos.
As equações são chamadas de generalizadas porque foram feitas pra funcionar em pessoas de idades e composições corporais diferentes, e não só num grupo específico, como atletas. Por isso viraram o padrão em consultório.
Assim como Petroski, Pollock dá a densidade corporal. O percentual de gordura vem de uma segunda equação, geralmente a de Siri.
Quais dobras o Pollock de 3 e de 7 usam?
| Versão | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| 3 dobras | Peitoral, abdominal e coxa | Tríceps, suprailíaca e coxa |
| 7 dobras | Peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca e coxa | As mesmas 7 |
Repare que na versão de 3 dobras os pontos mudam conforme o sexo. Na de 7, são os mesmos pra homens e mulheres.
Quais são as equações de Pollock?
Chamando de S a soma das dobras em milímetros e I a idade em anos:
3 dobras
Homens: densidade = 1,10938 − 0,0008267 × S + 0,0000016 × S² − 0,0002574 × I
Mulheres: densidade = 1,0994921 − 0,0009929 × S + 0,0000023 × S² − 0,0001392 × I
7 dobras
Homens: densidade = 1,112 − 0,00043499 × S + 0,00000055 × S² − 0,00028826 × I
Mulheres: densidade = 1,097 − 0,00046971 × S + 0,00000056 × S² − 0,00012828 × I
Da densidade ao percentual de gordura
% de gordura (Siri) = (495 ÷ densidade) − 450
Pollock de 7 dobras é mais preciso que o de 3?
Um pouco, mas menos do que se imagina. No estudo com mulheres, as equações com 3, 4 e 7 dobras tiveram erro padrão parecido, entre 3,6 e 3,8 pontos percentuais de gordura. A versão de 7 tem a vantagem de distribuir a medida pelo corpo todo, o que ajuda quando o paciente acumula gordura em regiões que a de 3 não mede.
Na prática, um erro de técnica pesa mais que a escolha entre 3 e 7. Uma dobra pinçada no lugar errado ou lida rápido demais muda o resultado mais do que a diferença entre as duas versões.
Como fica a diferença num exemplo prático?
Os valores abaixo são hipotéticos, só pra mostrar a mecânica.
Mulher, 30 anos: tríceps 18 mm, suprailíaca 20 mm, coxa 25 mm, peitoral 10 mm, axilar média 12 mm, subescapular 16 mm e abdominal 22 mm.
Com 3 dobras (tríceps, suprailíaca e coxa):
- Soma: 18 + 20 + 25 = 63 mm.
- Densidade: 1,0994921 − 0,0009929 × 63 + 0,0000023 × 3.969 − 0,0001392 × 30 = 1,0419.
- Percentual de gordura: 495 ÷ 1,0419 − 450 = 25,1%.
Com 7 dobras:
- Soma: 10 + 12 + 18 + 16 + 22 + 20 + 25 = 123 mm.
- Densidade: 1,097 − 0,00046971 × 123 + 0,00000056 × 15.129 − 0,00012828 × 30 = 1,0438.
- Percentual de gordura: 495 ÷ 1,0438 − 450 = 24,2%.
Menos de um ponto de diferença entre as duas versões nessa paciente. O número não é intercambiável, mas a leitura clínica é a mesma. Se ela fizer a primeira avaliação com 3 dobras e a segunda com 7, você não consegue dizer se a mudança veio do corpo ou do protocolo.
Quando usar Pollock de 3 e quando usar o de 7?
Use 3 dobras quando
- O tempo da consulta é curto e você precisa sobrar tempo pra conversa e pro plano.
- A paciente fica desconfortável com medidas no tronco. Na versão feminina de 3 dobras, não há medida no peitoral.
- Você acompanha muitos pacientes e quer uma rotina rápida e fácil de repetir igual.
Use 7 dobras quando
- O paciente treina e você quer acompanhar mudanças pequenas de composição corporal.
- A gordura está concentrada em regiões que a versão de 3 não mede, como costas e lateral do tronco.
- Você tem tempo e prática pra medir sete pontos sem pressa, sempre do mesmo jeito.
Prefira outro protocolo quando
- O paciente é criança ou adolescente: Slaughter foi desenvolvido pra 8 a 18 anos.
- A paciente tem mais de 55 anos: fora da faixa estudada. Os próprios autores recomendam cuidado com mulheres acima de 40.
- O paciente é adulto brasileiro e você prefere uma equação desenvolvida aqui: veja o protocolo de Petroski.
Checklist pra avaliação de dobras confiável
- Mesmo protocolo em todas as reavaliações do paciente, anotado no prontuário.
- Mesmo lado do corpo, o direito, com o paciente em pé e relaxado.
- Pontos marcados com lápis dermográfico antes de medir.
- Duas medidas por ponto, em rodízio, e uma terceira se diferirem mais de 1 a 2 mm.
- Mesmo adipômetro, de preferência, porque modelos diferentes podem ler diferente.
- Mesmo horário e condição, de preferência sem treino logo antes.
Pra fazer a conta das duas versões e comparar com os outros protocolos usando as mesmas medidas, use a calculadora de dobras cutâneas. Ela mostra Pollock 3 e 7, Petroski, Durnin, Guedes e Faulkner lado a lado.
Resumo rápido
- Pollock foi validado em homens de 18 a 61 anos e mulheres de 18 a 55.
- A versão de 3 dobras usa pontos diferentes por sexo; a de 7 usa os mesmos.
- No estudo com mulheres, o erro das versões de 3 e 7 foi parecido, entre 3,6 e 3,8 pontos percentuais.
- Técnica de medida pesa mais que a escolha entre 3 e 7.
- Não troque de versão entre uma avaliação e outra do mesmo paciente.
Perguntas frequentes
Pollock de 3 dobras é confiável?
É, pra adultos dentro da faixa de idade do estudo. O erro padrão das equações femininas de 3 e de 7 dobras ficou bem próximo. O que mais compromete o resultado é a técnica de medida, não o número de dobras.
Posso usar Pollock em idosos?
As equações foram desenvolvidas com homens até 61 anos e mulheres até 55, e os autores recomendam cuidado com mulheres acima de 40. Em idosos, a perda de massa magra muda a relação entre dobras e densidade, então a estimativa tende a errar mais.
Qual a diferença entre Pollock de 3 e de 7 dobras no resultado?
Costuma ser pequena, mas não é zero. Por isso o percentual de uma versão não deve ser comparado com o da outra. Escolha uma e mantenha.
Pollock serve pra atleta?
Serve, desde que dentro da faixa de idade. Pra acompanhar mudanças pequenas de composição corporal em quem treina, a versão de 7 dobras costuma ser a preferida.
A avaliação só vira informação quando você compara com as anteriores. O Nootrix, que está em pré-lançamento, calcula os protocolos de dobras na avaliação do paciente e monta o gráfico de evolução no prontuário a cada retorno. Se quiser testar e garantir o preço de fundador, entre na lista de espera.
Referências
- JACKSON, A. S.; POLLOCK, M. L. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition, v. 40, n. 3, p. 497-504, 1978. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/718832/
- JACKSON, A. S.; POLLOCK, M. L.; WARD, A. Generalized equations for predicting body density of women. Medicine and Science in Sports and Exercise, v. 12, n. 3, p. 175-181, 1980. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7402053/
- SIRI, W. E. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: BROZEK, J.; HENSCHEL, A. (ed.). Techniques for measuring body composition. Washington: National Academy of Sciences, 1961. p. 223-244.
- SLAUGHTER, M. H. et al. Skinfold equations for estimation of body fatness in children and youth. Human Biology, v. 60, n. 5, p. 709-723, 1988. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3224965/
- LOHMAN, T. G.; ROCHE, A. F.; MARTORELL, R. Anthropometric standardization reference manual. Champaign: Human Kinetics, 1988.